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Cinema se consolida no Vidigal e faz sucesso lá fora

Conhecido pela excelência nos palcos, o Grupo Nós do Morro tem construído uma bela história também no audiovisual. Iniciado em 1996, em uma parceria com os cineastas Rosane Svartman e Vinícius Reis, o Núcleo Audiovisual realizou vários projetos em película e em mídia digital. “Nossas principais conquistas nestes pouco mais de dez anos foram a inserção de pessoal no mercado de trabalho e a qualidade dos curtas que realizamos” comemora Rosane.

O mais recente é o curta “Picolé, Pintinho e Pipa” que fez grande sucesso no Festival de Huesca (Espanha), um dos mais importantes do segmento de curtas. A história de cinco crianças que enfrentam um dia de aventura para alcançar o carro de troca-troca antes que ele vá embora também encantou platéias no Festival Visões Periféricas (RJ) – de onde saiu com o Prêmio da ABDeC (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas) – e na Mostra Infantil de Florianópolis. Os próximos passos são o Festival da Venezuela e o de Belo Horizonte, em agosto. “Este filme é uma memória da geração que cresceu nos anos 80 e 90 e corria atrás dos carros de troca-troca de sucata. O mais legal é que funciona muito bem como uma alternativa à temática da violência, que tem sim uma urgência de ser abordada, mas não pode negar outros aspectos legais que fazem parte do cotidiano das favelas”, diz Gustavo.
“Picolé, Pintinho e Pipa” segue os passos de outros sucessos do Grupo. O primeiro deles, “O jeito Brasileiro de ser Português”, dirigido também por Gustavo, foi apadrinhado pelo fotógrafo cinematográfico Dib Lutfi, um dos nomes mais importantes do cinema novo.

Já em “Mina de Fé”, sob o olhar feminino que parte da própria comunidade, Luciana Bezerra dirige a história que relata as dificuldades de uma mulher de chefe do tráfico. O filme ganhou, em 2004, prêmios no Festival de Brasília e no Festival de Curtas de São Paulo, além de menção honrosa no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No ano seguinte, foi integrado à seleção oficial do Festival de Curtas-metragens de Clermont-Ferrand, na França. “Neguinho e Kika”, com roteiro e direção de Luciano Vidigal, foi outro trabalho que abriu as portas para prêmios. Narrando a descoberta do amor por dois adolescentes, foi premiado no Festival de Curtas de Marselhe, também na França. Atualmente, o Núcleo capacita vinte pessoas em quatro turmas com aulas de roteiro, direção e história do cinema com enfoque na produção de filmes autorais. Para isto, o Grupo, que é patrocinado pela Petrobras desde 2001, possui uma estrutura com ilha de edição, equipamentos de filmagem e projeção. “Outro ponto alto é o dia-a-dia, a troca de experiências contínua e a transformação de ex-alunos em multiplicadores”, comenta Rosane, acrescentando que o compromisso inicial do Núcleo Audiovisual, assim como de todo o resto do Grupo Nós do Morro, é o de dar acesso aos meios de produção e consumo da arte. Atualmente, o Núcleo busca patrocínio próprio para aumentar as atividades e tem planos de filmar o primeiro longa-metragem.


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